sábado, dezembro 01, 2012

A Revolução.
Por um país livre! grita-se,
nos Restauradores.

segunda-feira, setembro 24, 2012


Movimento Perpétuo

Sou qualquer coisa perdida ali pelo meio
Sou um cavalo sem dullahan e sem freio
Que corta as estepes do tempo e parte
Rumo à nova era da qual são estandarte

A liberdade, lei de alma, o trovador
Que é o trote da agitação interior
Que é o eco da subversão que é o amor
pela Glória da Rima e sua sombra o Esplendor.

Nascem rosas negras d'Ele que as semeia
Pela Terra que é o Sonho em forma de Aqui
E ao arrancá-las em seu galope a ideia
de espinhos é doce e crava-se e Ele ri.

Rasgam-se as peles do cavalo alado
E tem-se um desenho traçado a sangue
De turbulência por um verde prado
Sob o céu da mística e um urro: "Kerrang!!"

Jorra pelos ares todo um mar que alaga
E de seu fundo um túrpido azul propaga
Sons de golfinhos e de ManOwaR os cantos
E das sereias voluptuosas os encantos.

Os tubarões exibem suas mandíbulas
Por entre a flora e as algas que ondeiam
E além das povoações que torno ao mar aldeiam
Soerguem-se colinas e é de sempre o vê-las.

De seu alto, num gesto triunfal me despeço,
Próximo que estou de em Valhalla dar ingresso:
Longe do que é parado, humanos e balística,
Ergo alto a minha Espada: a Verdade Artística!

sábado, setembro 15, 2012

P'ra um concurso de haikus, em que o tema é Lisboa:


Acordo em Lisboa.
Vou à janela e passa
uma gaja boa.

Sakuras em flôr.
Mulheres vestem kimono.
...No Cinema King.

Escrevo uns haikus
prá Embaixada do Japão
no café Nicola.

Regateio óculos
de sol no Martim Moniz.
Verão em Lisboa.

Ruas tortas de Alfama.
Velhinhas estendem roupa
e o Quim Tó trafica.

Chiado - tão chique!
Um freak a brincar co'o fogo.
Riso de turistas!

Aos altos e baixos,
o eléctrico para a Graça.
As sete colinas.

Manif no Marquês...
Consumismo no Colombo...
Rusga sem Piedade...

Lá vão os namorados.
Prostituem-se menores.
Mãos dadas, no Parque.

Marianas, Cascais:
um espancamento. O sangue,
e o Tejo a passar.

Ganhou o Benfica!
Saio da tasca contente.
As putas do Técnico!

Sexta tocá sair
e palmar uns telemóveis.
Sábado há feiras.

Os bares do Bairro.
Multidão, álcool e drogas,
e pancadaria.

Os bares de Santos.
Pitinhas co'o pito aos saltos.
GHB no bolso.

No Cais do Sodré,
tumulto: gente e táxis.
A Lua do Fim.

sábado, junho 30, 2012

Passa como brisa
um pulsar de inspiração.
Folhas que se arrastam.

Cócega na pele.
Um coração incumprido.
O chão amarela.

O tempo prossegue.
Silêncio e árvore são
o tempo a parar.

sábado, junho 23, 2012

Deixei uma nota à caixeira do Destino. Mas ela não me deu troco.

quinta-feira, junho 14, 2012

Dou por mim em mares improváveis. Suspende-se o ímpeto, turva-se a calma. Amarras por soltar e uma neura flutuante. Até quando deixo arrastar-se a alma?

terça-feira, janeiro 03, 2012

(De 14 de Dezembro à noite:)


Subtrai-se ao momento o real.

Subtrai-se depois à escrita o momento.

Epicismos, malabarismos, e descuidos.

Análise e leitura fáceis - o difícil.

E o repetir o zumbir em torno disso? (Exaustão.)

Não me conhecesse eu, e diria falta de motes.

Dela se parte,

em parte.

Aonde se aporta?

Ninguém sabe.

Mas lá pelo meio,

lá pelo meio

após o relâmpago

repõe-se o rumo interior,

um de partida

rumo à obsessão:

poder ou não

estar

no horizonte

feito de motes

e da resposta

à migração

que é querer ser,

Ícaro.

(De 14 de Dezembro, à noite:)


Uma mala e um filósofo. (Que complicação! exclama.)

O relógio pára e recomeça três vezes.

Terminal da referência.

"Estou. Logo, inexisto."

Gente a lavar no rio. Outros que passam.

As metáforas de sempre reitero.

Percorro. Respiro.

Cinza e calçada.

Corropia-se o passeio.

A cidade.

Dupla: tudo e nada.

As pessoas que vêm de encontro.

A atenção já mecânica de não esbarrar nelas.

Desvios. Guinadas.

Um vendedor de castanhas. Uma sirene. Vidas.

Movimentos e espiral.

De fora para dentro, e por fim, de dentro para fora.

Vento.

O vento leva já até as pedras.

Mistura-se o caminho de volta e a infinidade da atmosfera.

Carga e descarga.

Implosão, explosão.

Sobra o vício. Terra só no papel.

Agita-se. Soma-se e subtrai-se terra ao papel.

Como um garimpeiro que procura o ouro. Como um pássaro que debica por lagartas. Como um poeta que anseia pelo mote.

"Vida, vida, vida!"

Palavras.

Estrondos, um cataclismo.

Palavras.

Cenário. O último take.

«Corta!»

Metragem curta.

(De 7 de Dezembro, à noite:)


Um banco de jardim. O peregrino sentado, ou a não produção. Diante, a passadeira congestionada.

Percebe-se a hora. Dá-se passos. Disfarçando o ruído de fundo. Dá-se mais passos. Zumbido mais e mais alto. Acelera-se.

Um carro que quase o atropela. Algures no lapso temporal a atenção. Distraído pela vida, o gingar torna-se ritmo. Em redor, as luzes da cidade.

Há uma arena. Mas não há uma arena.

Há um caminhante que atalha o nexo. Alguém atira um pião. O medo de ele cair faz continuar. Pela tangente da rotação.

Agente que se infiltra na plebe. Que cumprimenta a meia proximidade. Que assim mantém por uma corda bamba o seu próprio entusiasmo e inspiração. Mas que começa a abanar assim que lhe apontam o dedo e o chamam de espião. Meta-teorias da conspiração.

O passo abranda. É agora?

Uma esquina. Interrupção.

Há um estrangeiro que pergunta o caminho. "Where are you headed?" "To discover." "What?" "To where I'm headed first. Then, whatever there is there to find." "Oh, ok. Hmm let's see. That's a tough one.. You know, whatever - Just go ahead and take a turn around the corner. You see the people there? They should be able to tell you. Why don't you go and ask the people?"

...

"But I did. I just asked you."

Asserção certa. Mas certeira?

"How should I know? Why do you insist?"

"Because you're headed there too."

"Oh, give me a break with that misplaced yearn for direction of yours. Go ask someone else."

"The thing is, it's not just about a goal or a place. Not anymore."

"Ofcourse it is."

"Well yes. This was a question about direction.

But what matters now is that you hold the answer.

It is you who shall show me the way.

This is, as of now, about you."

"That can't be. No, no, no. That makes no sense. Who the hell are you after all? Jeese!"

...

A arena aparece agora completa e é circular. Dela, um palco para a imaginação furtiva, que espreita sempre atenta entre as pausas do zumbido, no zumbido das pausas. Flectem-se as garras as quais teimam em desferir continuidade. O domador dá sinais de cansaço. Uma noite que se adensa.

O peregrino deu por si a dormitar. Acorda agora.

Em redor, a cidade sem questões. Está-se sentado num banco de jardim em miniatura. Esta e outra árvore desfolhada permanecem lá. Trejeitos bucólicos de Natureza dispersos pela urbe de pedra e asfalto. Pretensões citadinas, o glamour das mulheres, a poluição dos carros, tudo assenta e perde-se na noite como uma luva de pele. Exterior. Distorções do século XXI.

Mas eis que é hora de retornar ao sossego absorvente do lar. Mete-se Björk, Faith no More, Morphine, Smashing Pumpkins, e peritos outros na arte de serem absolutos na arte. Aqueles por cujos moldes paralelos que constróem se e os ultrapassam e são deuses. Deuses em seus mundos remotos que quase nos abstraem do erro e da presença não divina. Respira-se.

Dorme-se pacificamente o hoje. Amanhã um passo a mais ou a menos ditará enfim as respostas.

(Espera-se.)

O diálogo, em vez do burburinho de fundo.